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Sacerdotes do Riso - Japão e Brasil - Ilustração de Henrique Vieira Filho

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Dizem que quem não sabe rir de si mesmo está perdendo a melhor piada da vida! Aqui no Museu ReArte, o bom humor é o fio condutor de toda a nossa programação de abril. Entre as exibições de clássicos da comédia às quintas-feiras e a oficina de “risadaria” no dia 19, o tom divertido transbordou até para as paredes da nossa galeria de arte.

Quem nos visita dá logo de cara com as nossas sorridentes Monalisas. Elas aparecem em versões afro, mexicana, carioca e egípcia, provando que a alegria é universal. Como abril é o mês da floração das cerejeiras no Japão, temos as pinturas de paisagens que celebram o oriente, trazendo inclusive a exótica sereia nipónica. Ela faz companhia às “senhoras das águas” de vários países e, claro, à nossa brasileiríssima Iara, que chega escoltada pelas mulheres-peixes da tribo Marubo

Temos ainda a Caipora, a Boiarara (a poderosa cobra alada tupi) e a heroína literária Lindóia — personagens que honram os nossos povos originários, cuja data celebramos justamente no dia da oficina “Muito Além da Risada”, conduzida pelo especialista Cássio Starling.

Neste universo da ReArte, tudo está interligado, pois o riso faz parte de todas as culturas que expomos. No Japão antigo, por exemplo, já existia uma espécie de stand-up: o Rakugo (significa “palavras caídas”). É  uma arte teatral de mais de 400 anos onde o artista, sentado, usa apenas um leque para simular espadas ou objetos, encarnando todos os personagens de uma história apenas com gestos e voz, onde o final (o ochi) é sempre uma queda ou uma reviravolta cômica.

E já que o dia 19 celebra os donos da terra, precisamos falar da inteligência do riso deles. Hoje, nas redes sociais, jovens como o Kauri Wajãpi usam a ironia para dar uma flechada em nossos preconceitos, mostrando que o indígena não é aquela figura estática dos livros escolares, mas alguém que usa o sarcasmo para desconstruir ideias erradas.

O escritor Daniel Munduruku gosta de contar uma piada clássica das aldeias para quebrar o gelo com os pesquisadores:

“Sabe qual é a definição de uma família indígena moderna? É o pai, a mãe, os filhos, os avós e um antropólogo sentado no canto da oca fazendo anotações.”

Rir de e com o “homem branco” é, para eles, uma forma de resistência. Ao fazerem humor moderno, eles seguem a trilha dos seus ancestrais. Nas aldeias do povo Krahô e de outros grupos do tronco linguístico , o riso é sagrado. Eles têm os Hotxuá, os Sacerdotes do Riso. São figuras respeitadas, mediadores que usam o absurdo para restaurar a paz. Quando a tensão aumenta, entra o Sacerdote do Riso com a sua “permissão divina” para o ridículo. Ao rir com ele, a tribo lava a alma e recupera o equilíbrio. É uma medicina coletiva.

É essa “ciência da alegria” que queremos partilhar. Seja com o minimalismo japonês ou com a sabedoria dos povos Jê, o nosso objetivo no Ponto de Cultura ReArte é mostrar que a alegria é o caminho mais curto para a saúde.

Reforço o convite: dia 19, às 14h, venham descobrir que, se até na oca há lugar para o riso, no nosso museu de vidro também há. A entrada? Um sorriso e a vontade de voltar a brincar!

Atenção: o riso é sem fim, mas, as vagas acabam! Por isso, reservem já pelo Whatsapp: (11) 98294-6468!

Henrique Vieira Filho Administrator

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

http://lattes.cnpq.br/2146716426132854

https://orcid.org/0000-0002-6719-2559

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