Ah, o glorioso Primeiro de Maio! Data magna em que os trabalhadores, em uníssono e merecido descanso, elevam seus pés cansados e brindam à labuta com um suspiro de alívio.
Só que, meus amigos do Circuito das Águas, a prática por aqui tem um delicioso toque de ironia turística.
Enquanto o Brasil afora planeja churrascos prolongados e maratonas de Netflix impunes, nós, abnegados habitantes destas paragens paradisíacas, preparamo-nos para a nossa particular “maratona do trabalho”.
Porque, convenhamos, feriado prolongado em cidade turística é como acender um holofote gigante chamando a legião dos que buscam refúgio do asfalto. E nós, qual formiguinhas zelosas, corremos para atender a demanda com sorrisos e a hospitalidade que nos é peculiar.
Aqui, na Residência Artística, pasme, a maioria dos que vêm apreciar as obras de arte e assistir aos curtas-metragens sobre a nossa região, moram a centenas de quilômetros daqui!.
Mesmo em meus tempos na Pauliceia, selva de pedra onde o “feriado prolongado” para mim também significava a chegada em massa de terapeutas ávidos por desvendar os mistérios da mente e do corpo. Meu consultório virava um QG da psicoterapia intensiva, com gente vinda de todos os cantos do país, trocando o descanso na rede por horas de imersão em técnicas de relaxamento (irônico, não?). Era o meu “Dia do Trabalho” turbinado, com direito a olheiras profundas e a satisfação de ver o brilho da descoberta nos olhos dos alunos.
Aqui, os hotéis, pousadas e restaurantes multiplicam seus afazeres como coelhos em lua de mel. O artesão capricha ainda mais nas lembrancinhas, sabendo que cada turista leva consigo um pedacinho da nossa Serra Negra. Os guias turísticos afinam a garganta para narrar as belezas naturais e as lendas locais, repetindo a mesma história pela décima vez com o mesmo entusiasmo (ou quase!).
É engraçado observar a inversão de papéis. O trabalhador da cidade grande foge para cá em busca de paz e sossego, enquanto o trabalhador da cidade turística dobra a jornada para proporcionar essa experiência “zen”. É quase um intercâmbio laboral não oficial, onde uns buscam recarregar as energias que nós gastamos atendendo-os.
Não me entendam mal, prezados leitores. Há uma satisfação genuína em receber bem os visitantes, em mostrar as maravilhas da nossa terra e em contribuir para a economia local. Mas, cá entre nós, existe uma pontinha de humor ácido em pensar que o “Dia do Trabalho”, para muitos de nós, se transforma no “Dia de Trabalhar Mais”.
Quem sabe um dia inventem o “Dia do Descanso do Trabalhador de Cidade Turística”? Poderíamos decretar um feriado exclusivo para nós, talvez logo depois de um desses feriados prolongados, quando a poeira baixar e o último turista satisfeito fizer o check-out.
Aí sim, teríamos o nosso merecido momento de paz, para recarregar as energias e nos prepararmos para o próximo… feriado! Porque, convenhamos, a roda turística não para, e nós seguimos girando, com um sorriso no rosto e, secretamente, a esperança de um dia de folga de verdade.
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e Biblioteconomia.
http://lattes.cnpq.br/2146716426132854
https://orcid.org/0000-0002-6719-2559
Contando com mais de 100 exposições entre individuais e coletivas, em galerias, polos culturais e museus em diversos países, suas obras estão disponíveis tanto em galerias consagradas, como a Saatchi Art, quanto em sua galeria própria, a Sociedade Das Artes, até os mais singelos espaços alternativos.
Atualmente radicado no interior de SP, dedica-se, em especial, ao Slow Art Movement, que prega a apreciação afetiva, “sem pressa” das artes, para todas as camadas da sociedade e ao Polo Cultural ReArte, em que abre espaço a novos talentos artísticos e à integração das mais diversas formas de artes, por meio de mixagem e releituras.
Editor, autor, pesquisador e parecerista nos periódicos Artivismo (ISSN 2763-6062), Revista TH (ISSN 2763-5570) e Holística (ISSN 2763-7743), conta com centenas de artigos publicados e vinte livros, além de colaborações, entrevistas e consultorias para Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Diário Popular, Jornal O Serrano, Revista Elle, Revista Claudia, Revista Máxima, Revista Veja, Revista Planeta, Revista Capricho, Revista Contigo, Revista Saúde, Revista Boa Forma, Rádio Globo, Rádio Gazeta, Rádio Eldorado, Rádio Nova, TV Globo (Jornal Nacional, Bom Dia Brasil, Fantástico, etc.), TV Gazeta (Telejornal, Mulheres, Manhã na Paulista), TV Record, SBT (Telejornal, Jô Soares Onze e Meia, etc.), TV Jovem Pan (Telejornal, Opinião Livre, etc.), TV Cultura, TV Bandeirantes, Rede Mulher, TV Rio.